quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Fechando com chave d’ ouro

Freedom Call – Hellvetia (2011)

Excelente, nota 9

Quando soube dos rumores do lançamento do DVD, o primeiro oficial da banda, eu pirei. Lançando em agosto de 2011, em todo o mundo, a banda Freedom Call também lançou um álbum ao vivo de um dos três discos que contem no DVD em CD. Caso isto não seja verdade, estou com uma copia pirata aqui em casa . . . (risos). Brincadeira!

Fechando 2011 de forma bela, a banda de Power Metal, com fortes traços de Hard Rock, faz seu segundo registro ao vivo. O primeiro chamado de “Live Invasion” (2004), disco duplo, muito bem aceito por todos. Afinal, quem não gosta de um álbum ao vivo?! E assim, mantendo a forma, a banda lançou o “Hellvetia”.

Vindo direto da turnê do álbum Legend Of the Shadowking (2010), álbum que não foi tão aclamando como seus anteriores, mas muito bom por sinal, a banda deixa claro muitas músicas vindo deste seu último álbum de estúdio até então. Seguindo a formação clássica de quatros membros, a banda conta com seu fundador, vocalista e guitarrista Chris Bay, Lars Rettkowitze (guitarra), Samy Saemann (baixo) e Klaus Sperling (bateria).

Trazendo um set list com clássicos matadores, a banda deixa claro sua fama, o que por aqui não há (infelizmente). É sempre bom ouvir as músicas ao vivo, então fica minha dica e os grandes destaques: “We Are One”, “Tears Of Babylon”, “Queen Of My World”, “Metal Invasion”, “Merlin – Legend Of the Passad”, “The Quest”, “Warriors”, “Mr. Evil”, a divina “Land Of Light” e, talvez o hino da banda, “Freedom Call”. Mas na minha opinião, se poderia ter muitos outros clássicos, como por exemplo "Pharao", em vez de focar mais a turnê do álbum Legend Of the Shadowking . . .

Para encerrar o ano de forma ainda melhor só comprando o DVD. Mas como 2011 faz parte do passado agora, fica o conselho de comprarmos em 2012. Afinal, o ano foi encerrado com esta banda super poderosa e iniciada com ela também – em alto e bom som.

E então se fez silêncio

Blind Guardian - A Night At the Opera (2002)

Há 10 anos, a clássica banda de Power Metal, Blind Guardian, lançava um dos seus melhores álbuns. E com este grandioso disco começo 2012 com uma ótima dica a todos – ainda mais para os fãs de músicas épicas.
Depois do conceituadíssimo “Nightfall In Middle-Earth” (1998), a formação original do BG, que contava com Hansi Kürsch (vocal), André Olbrich e Marcus Siepen (guitarras) e Thomen Stauch (bateria), mantinha no auge a mesma forma bela de inventar e inova as suas belíssimas músicas. Além dos quatros, a banda possuía, o que mantêm até hoje, como membros convidado (mas não oficiais) Oliver Holzwarth (baixo) e Michael Schüren (teclado e piano).
Numa turnê que durou cerca de quatro anos do seu disco anterior (o de 1998), o Blind Guardian veio com tudo e lançou o A Night At the Opera, o que teve o nome em homenagem ao disco da banda Queen de 1975. Foi isto o que afirmou o vocalista Hansi Kürsch em uma entrevista após o lançamento do disco. A mídia, como muitos do publico, falou mal a respeito deste álbum, argumento que a banda estava soando de uma forma diferente, no sentido de ruim. Até mesmo o baterista Thomen Stauch teve problemas com os membros da banda por causa disso. Sinceramente, como um grande fã deles, eu digo que este álbum é demais e único, com características que cada álbum da banda possuía como apenas seu.
Nessa época a banda teve a chance de participar da trilha-sonora da trilogia do “O Senhor dos Anéis” ("The Lord Of the Rings", em inglês), do diretor Peter Jackson. Mas eles recusaram. Disseram que se aceitassem, o “A Night At the Opera” demoraria ainda mais para ser lançando e que os fãs não poderiam mais esperar. O que foi uma pena, e acredito que todos os fãs compreenderiam perfeitamente. Afinal, não há banda melhor do que eles para falar das obras do autor J. R. R. Tolkien, criador dos livros “O Senhor dos Anéis” (entre tantos outros).
Carregado de clássicos, o álbum possui músicas que trazem um poderoso poder ao vivo. Entre elas ficam os destaques de: “Battlefield”, “Under The Ice”, “Harvest Of Sorrow”, “The Soulforged”, “Punishment Divine” e a bela “And Then There Was Silence”.
Infelizmente, a banda não conseguiu mais manter a perfeição com a formação original nos anos que se seguiram. Em 2004 (ou 2005), o baterista Thomen Stauch anunciou sua saída oficial do grupo, alegando que a banda estava abandonando suas raízes, e que não queria participar disto. Antes de sua saída, a banda lançou uma coletânea ao vivo em 2003 que se intitulava simplesmente “Live (The Bard's Tavern)” e o DVD “Imaginations Through the Looking Glass”, contendo assim, os últimos registros formação original (mas essa é outra história).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

20 anos atrás


Mr. Big – Lean Into It (1991)

Alcançando o número 15 da lista dos 200 mais vendidos álbuns dos EUA, há 20 anos a banda Mr. Big lança um dos seus melhores discos de sua toda carreira. Com álbuns poderosíssimos, o Lean Into It é para mim o melhor de todos. Se não o melhor, fica empatado com o primeiro autointitulado da banda de 1989.
Este álbum rendeu para a banda, além de muito dinheiro e prestigio uma turnê mundial, onde houve a primeira apresentação no Brasil. Trazendo na bagagem pesos como “Daddy, Brother, Lover, Little”, “Alive And Kickin’ ”, “CDDF - Luck This Time”, Never Say Never”, a belíssima “Just Take My Heart” e “To Be With You” (talvez a música mais famosa deles). Sinceramente, o disco é tão bom que escolher apenas duas out três musicas para reapresentá-lo é complicado demais.
Comemorando seus 20 anos de lançamento, e um clássico absoluto no cenário do Rock, uma lendária banda do Hard Rock, Lean Into It é mais que um álbum indispensável, e sim, uma obrigação para os amantes da música. Se ainda tiver duvidas, escute “Just Take My Heart” minha música preferida deles.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

2011 - Bandas e seus álbuns

Assim como no ano passado, o blog terá uma coluna destinada às bandas e seus álbuns lançados em 2011 que tive o prazer de ouvir. Aqui estar minha opinião, o que é propenso a opiniões bem diferentes. Além dos melhores álbuns, fica também as 10 mais.
Infelizmente neste ano não encontrei nenhum disco para ser classificado como “clássico”, a não serem duas coletâneas (mas ai o patamar é outro). Assim fica mais uma dica minha para encerrar 2011 como os seguintes álbuns.

Clássicos (Nota 10)
Iron Maiden - From Fear To Eternity (Coletânea)
Legião Urbana – Perfil (Coletânea)


Excelentes (Nota 9)
Edguy – Age Of the Joker
House Of the Lords – Big Money
Scorpions - Sting In The Tail
Shakra - Back On Track
Stratovarius – Elysium
Ten – Stormwarning
WhiteSnake - Forevermore


Ótimos (ou Muito Bons, Nota 8)
Bad Habit – Atmosphere
Bonfire – Branded
King Kobra [IV]
Last Autumn’s Dream – Yes
Týr - The Lay of Thrym
Warrant – Rockaholic


Bons (Nota 7)
Michael Monroe - Sensory Overdrive
Rhapsody Of Fire - From Chaos To Eternity


As 10 melhores músicas de 2011
1. Endless Symphony –Ten
2. The Best Is Yet To Come – Scorpions
3. Forevermore – WhiteSnake
4. First To Cry – House Of the Lords
5. Back On Track – Shakra
6. Every Night Without You – Edguy
7. Live Forever – King Kobra
8. Deadly Contradiction - Bonfire
9. I Wanna Be The One – Bad Habit
10. Fairness Justified – Stratovarius

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eric Carr – Especial

Era provavelmente uma tarde de domingo, fui com minha família para a casa de uns parentes nossos. Faz tanto anos isto, que não me lembro ao certo o ano que foi, mas suspeito que tenha sido em 2003 ou 2004. Meu primo havia comprado um aparelho de DVD, o que era novidade na época, ainda mais para mim e meu irmão. Por mais que fosse uma novidade, meu irmão já possuía uma mídia de DVD mesmo antes de nós termos o aparelho em casa, pois ele havia encontrado o tal DVD vendo a preço de banana e não pode deixar de comprar.

O DVD era: KISS – Animalize tour 84’.

Nós estávamos fascinados pelo KISS na época, uma paixão muito louca mesmo! Na esperança e na expectativa de vermos o KISS em um show, que por sinal era a nossa primeira vez que veríamos uma apresentação “ao vivo” da banda (pelo vídeo), nosso primo fez a gentileza de ter colocado para nós aquele show em ação. Jamais me esquecerei daquela tarde, onde a casa dos meus tios parou para apreciar a força que o KISS mostrou. Nada do que eles conheciam chegava (e jamais chegarão) aos pés do KISS.

No meio daquela apresentação memorável, todos ficaram surpresos com a garra do baterista, Eric Carr. A partir dali, consagrado o melhor de todos os bateristas. Meu maior mestre das baquetas. Um cara que me fascina sempre que vejo e revejo seus shows e historias.

Dia 24/11/11, completaram-se 20 anos da morte deste gênio. Após uma constante luta contra um câncer no coração, Eric não pode mais resistir e acabou falecendo. O que aconteceu no mesmo dia a morte de Fred Mercury, vocalista do Queen.

Referencia para muitos outros bateristas, um exemplo para ser seguido de perto, uma pessoa super otimista, o melhor baterista de sua década, simplesmente Eric Carr. São inúmeras homenagens a ele, e todas com suas razões. Quem me dera ter-lo visto ao vivo num palco. Mas mesmo assim, ele é para mim herói e um coluna para em sua homenagem é muito pouco do que ele realmente merece. Que os deuses possam apreciar as fortes e marcantes batidas de sua bateria de 180°.

Sua última atuação foi na gravação do clip e das batidas de “God Gave Rock n’ Roll To You” (titulo deste blog), música do KISS, lançada 1 ano após sua morte no álbum Revenge (1992), Eric estava belíssimo, digno de seu lugar na bateria. O vocalista Paul Stanley contou tempos depois, que na época Eric estava muito doente e fraco, mas insistiu em participar nas gravações e em nenhum momento se mostrou abatido ou mesmo fraco. Dando a banda um exemplo que jamais esqueceram em toda sua vida (todos nós).

Mesmo com tanto anos passados após sua morte, todos nós, fãs do KISS e principalmente dele, podemos dizer que Eric Carr ainda vive e sempre será Eterno. Este ano será lançado o segundo álbum pós-tumulo de Carr, intitulado Unfinished Business. O primeiro é super recomendado, chamado de Rockology (1999); assim também com os diversos álbuns do KISS desde 1981 a 1989. Clássicos como “Creatures Of The Night”, “War Machine”, “Lick It Up”, “Young and Wasted”, “Heaven’ On Fire”, “Tears Are Falling”, “Crazy Crazy Night”, “Reason To Live”, “Let's Put the X In Sex”, “(You Make Me) Rock Hard”, “Hide Your Heart”, “Forever” e “God Gave Rock n’ Roll To You”.

Para Sempre Eric Carr.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma Noite com duas lendas do Rock.

Whitesnake & Judas Priest

Citibank Hall, Barra, RJ 11/09/11

Por: Mick Michael

O título da resenha resume em poucas palavras o que aconteceu no domingo do dia 11 de setembro de 2011. Revivendo a parceria realizada em 2005, Whitesnake e Judas Priest estavam de volta ao Rio de Janeiro para presentear os fãs cariocas com mais uma noite memorável. Mais uma vez o lugar escolhido para esta linda celebração ao Hard e Heavy Metal foi o ótimo Citibank Hall, localizado na distante e isolada Barra da Tijuca. Exatamente uma semana depois de presenciarmos uma grande apresentação do Blind Guardian, na Fundição Progresso, no Centro do Rio, estávamos mais uma vez encarando outra fila, além das adversidades do tempo, que cismou em fazer cair uma chuvinha chata, daquelas que molha, mas não vem de vez. De fato é uma luta assistir a um show de alguma das suas bandas favoritas, mas na hora que você vê seus ídolos no palco, não tem jeito, todos os perrengues das horas antes da festa ficam pra trás. E não foi diferente dessa vez, apesar de que o maior aperto ainda viria depois do show, com uma madrugada torturante no frio, mas aí é outra história...

A abertura da casa pode ter ultrapassado a hora marcada no ingresso (apesar de ter sido apenas 10 minutos de atraso), mas a pontualidade britânica se fez presente e o Whitesnake iniciou sua apresentação exatamente às 21:30, surpreendendo o público carioca, já acostumado com atrasos em grandes shows. Utilizando uma produção mínima, que contava apenas com um pano de fundo com o logo da banda, além de terem usado apenas a metade do palco, que já tinha o cenário do Judas montando na parte de trás, a lenda do Hard Rock subiu ao palco de forma discreta, tendo a frente seu líder inigualável David Coverdale (vocal), mantendo toda sua postura de rockstar, cheia de poses, caras e bocas, além de um visual tipicamente Hard. Além de Coverdale, a banda também conta com os excelentes guitarristas Doug Aldrich e Reb Beach, Michael Devin no baixo e o ótimo baterista Brian Tichy, todos bem competentes e performáticos. Depois de cumprimentar os poucos mais de 6 mil fãs presentes, iniciam o show com Best Years, do álbum Good to be Bad, de 2008, trabalho que marcou a retomada de David, que a tempos vinha num para-mas-não-morre com o Whitesnake. A recepção do público ainda foi contida, mas na sequência veio Give Me All Your Love, que animou mais a galera. Porém foi com as duas musicas seguintes que o Whitesnake elevou o êxtase de seus admiradores. Love No Ain’t no Stranger colocou o Citibank para agitar e Is This Love, maior sucesso comercial da banda, embalou o lugar num belo clima romântico. Vale lembrar que esse lance de acender os isqueiros já passou e a onda agora é iluminar o local com as luzes das câmeras e celulares!

Depois dos clássicos oitentistas era hora de mostrar as canções do novo trabalho, Forevermore, de 2010, que foi representado com Steal Your Heart Away e a faixa-título, que traz uma bela introdução em voz e violão, para depois entrar um ritmo mais candeciado. Algo que jamais fica de fora num show do Whitesnake são os solos individuais. Eles podem até deixar um clássico de fora, mas os solos de guitarra irão rolar, pode ter certeza! Para começar essa seção, que sinceramente dispenso nos shows, Doug e Reb fizeram um duelo de solos de guitarras, com cada um demonstrando um pouco de sua habilidade. Não foi tão chato, mas preferiria ouvir algum som antigo da banda. Depois o restante do grupo retornou ao palco para tocar a também recente Love Will Set your Free, e então foi a vez de Brian Tichy executar um espetacular solo de bateria, que de fato agradou o pessoal. Brian, que já vinha roubando a cena durante as músicas, fez voar baquetas para todo o lado e ainda arregaçou a bateria com as mãos! Mas também sejamos claros, para assumir o posto que já teve nomes como Tommy Aldridge e Cozy Powell, tem que ser fera mesmo. A volta trinfual com os hinos Here I Go Again e Still of the Night foi de arrepiar, com o público agitando de vez! Para tornar a noite ainda mais especial, David fez um cover de sí mesmo (!) ao cantar à capela Soldier of Fortune, e depois fecharam o show com uma fantástica execução de Burn, ambas do Deep Purple, grupo do qual o vocalista fez parte no fim dos anos 70.

Diante de uma contagiante animação dos fãs, o Whitesnake deixou o palco sob calorosos aplausos do público, inclusive de alguns fãs do Judas que haviam dito antes do inicio do show que a apresentação da banda de Coverdale era dispensável. Apesar de estar parecendo aquela nossa tia que ainda se acha gostosa, David continua cheio de charme e bem, apesar de ter mudado um pouco a maneira de cantar. Mas ele manteve a voz grave tradicional. Senti a falta de alguns clássicos obrigatórios, como Fool For Your Loving, Guilty Of Love e Standing In The Shadow, que poderiam ter entrado no lugar dos solos de guitarra, mas... Tudo bem, o show foi muito bom.

Chegava a hora de conferir o show do Judas Priest, uma das bandas mais significativas para a história do Heavy Metal. Com mais de 40 anos de carreira, o Judas decidiu que está na hora de sair de cena, pelo menos com grandes turnês mundiais e esta turnê, batizada de Epitaph tour, é a despedida do conjunto das grandes platéias. Em menos de meia hora tudo já estava montado para o Judas, com uma enorme cortina preta com o logo da atual turnê tampando a visão do palco.
Às 23:15 todas a luzes do Citibank se apagaram, deixando o clima bem legal. Sem mais, as cortinas caem e o Judas Priest inicia sua apresentação detonando com Rapid Fire, do clássico álbum British Steel, de 1980, o trabalho mais homenageado da noite. Com suas tradicionais roupas de couro, poses e gestos, Rob Halford (vocal), Glenn Tipton (guitarra), Ian Hill (baixo), Scott Travis (bateria) e Richie Faulkner (guitarra), este substituindo K.K. Downing, que preferiu se aposentar mais cedo, aumentaram a empolgação dos fãs com as clássicas Metal Gods e Heading Out the Highway, uma de minhas favoritas. Se o Whitesnake optou por fazer um show sem apelar para efeitos pirotécnicos, o Judas Priest não economizou e trouxe para o palco tudo o que tinham direito! Além de terem criado um cenário com correntes espalhadas por todo o lugar e algumas referencias a sua carreira, também havia muita fumaça, fogos, lasers, panos de fundos que mudavam de música para música e um telão que projetava imagens dos álbuns homenageados, entrem outras cenas com referencias às canções tocadas. Mesmo que tudo isso já tenham sido usado por bandas como o Kiss e o Iron Maiden, tudo se torna impressionante aos nossos olhos.
Halford se mostrou simpático ao cumprimentar os fãs e dizer algumas outras coisas, mas foi cantando que ele arrasou (inclusive com nossos tímpanos que levaram dias para se recuperar!). Mesmo já tendo passado dos 60 anos, o vocalista continua com um timbre incrível, cantando da mesma forma como ouvimos as músicas nos álbuns!
O show prosseguiu com Judas Rising, Starbreaker, Victim of Changes, Never Satisfied, Diamond e Rust, ótimo cover de Joan Baez, e Dawn of Creation. Para cantar Prophecy, Halford usou um brilhantíssimo sobre-tudo e um cajado em forma de tridente. Parecia mais o Gandalf, o brilhante (rs!). Night Crawler, a clássica Turbo Lover, executada num palco repleto de lasers, num dos efeitos mais bonitos do show, Beyond the Realms of Death, The Sentinel, Blood Red Skies e The Green Manaloshi foram a pedradas seguintes, até chegarmos num dos momentos mais aguardados da festa, com o mega hino Breaking the Law. Especialmente nesta música, Halford não entoou um único verso, deixando para o público a tarefa de cantar a canção. Um lança-chamas que soltava rajadas de fogo ao lado da bateria tornou a cena ainda mais marcante! O baterista Scott Travis deve ter passado um aperto com o calor! Painkiller, outra considerada fundamental na carreia da banda, veio para fechar a primeira parte da apresentação.

Após uma pequena pausa para os fãs recuperarem o fôlego, o Judas Priest retornou com a medley The Hellion/Electric Eye. Em outro momento marcante, Halford entra no palco com sua tradicional motocicleta para cantar Hell Bent for Leather. Uma cena obrigatória nas apresentações da banda. Era a hora de saudar os fãs brasileiros de uma forma mais especial, e o Judas fez isso muito bem! Com Rob enrolado na nossa bandeira verde e amarela e diante do projetor mostrando também uma imagem da bandeira do Brasil, tocaram You’ve Got Another Thing Comin, onde incluse, Richie Faulkner tocou alguns trechos do hino nacional durante o solo. Então veio uma nova pausa e após alguns minutos o telão ao fundo começou a projetar a imagem de um relógio onde os ponteiros marcavam meia-noite. Era o ponto de partida para a banda fechar o show com Living After Midnight, outro grande hino do álbum British Steel.
Antes de deixar o palco, todos os integrantes ainda se abraçaram diante dos fãs, jogaram palhetas e baquetas, posaram para fotos e tudo o mais. O Judas Priest tem fôlego para continuar por mais alguns anos, porém havia uma pergunta martelando minha cabeça durante a noite posterior do show: depois de tantos anos de estrada, com vários álbuns gravados, turnês por todo o mundo, apresentações memoráveis, muito dinheiro, álcool e tudo o mais, o que realmente mantém bandas como Judas Priest e Whitesnake seguindo em frente? Acredito que seja o amor pelo que fazem e pelo que vivem, e isso eles tem de verdade!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Tomorrow Will Take Us Away"

Fundição Progresso, Lapa, RJ (04/09/11)

Por: Dan Frehley

Lembro-me de cerca de 10anos atrás, meu irmão, que tinha o costume de pegar uns álbuns com meu primo emprestado, chegando em casa com um álbum que possuía uma capa muito interessante. Ele me disse naquela tardinha: “Eu trouxe este CD porque achei a capa dele maneira.” Naquele ato inocente, meu Irmão (Mick Michael) nos apresentava uma banda que passaria a ser uma das maiores que já ouvi – Blind Guardian. O álbum era o Somewhere Far Beyond (1992).

E de lá para cá, a paixão pela banda só aumentou. Confesso que teve seus momentos baixos, como uma relação comum de casais (quando o baterista original saiu em 2005, Thomen Stauch). Mesmo assim, meu carinho por eles sempre foi enorme e minha admiração maior ainda. Desde então, sempre me foi um sonho ver-los ao vivo, sem contar que sempre considerei o Blind Guardian uma banda maravilhosa, quando o assunto é executar suas músicas ao vivo. Foram 10 anos sonhando, até o domingo dia 04 (de setembro de 2011) que me será eterno.

Foram umas três semanas antes do show que fiquei sabendo do espetáculo na Lapa. Desde março deste ano, que já sabíamos (meu irmão e eu) da volta da banda ao Brasil. Mas a única data na ocasião era em São Paulo. Aos poucos, novas datas surgiram, mas no RJ não havia nada. E quando as esperanças estavam quase entrando no ralo, meu irmão apareceu com a gigantesca novidade: show na Lapa. Nem acreditei!

No dia 04, o dia do Show, na madrugada, viu um set list de um show da banda no Chile. No tal set list, haviam poucos clássicos por assim dizer – afinal, para quem é fã de verdade, todas as músicas são bem vindas. Então, o sonho para ver algumas músicas em especial ao vivo ficaram fracos, pois comecei a me basear no set list do Chile, apesar deles não ter anunciado nenhum set especifico para o show na Lapa. Mesmo assim, não deixamos de acreditar.

Na parte da tarde do dia, me encontrei com meu irmão no local do show. Sinceramente, esperávamos poucos fãs e rockeiros por lá. Isso porque o RJ tem andando muito em baixa nos últimos anos quando o assunto é Rock. E para nossa surpresa, o Fundição Progresso lotou! Aos poucos, o pessoal foi chegando e enchendo a rua do show, a ponto da fila passar a dobrar a esquina. Os ônibus e os pedestres que passavam pelo local deve ter se perguntado o que era aquilo. No coração da Lapa, famosa pelo seu sambinha, um bando de pessoas de preto, algumas de cabelos compridos, para uma eventualidade que não acontece sempre – o que é uma pena aqui no RJ. Havia também os clássicos vendedores, que sempre aparecem e ainda mais com mercadorias que não encontramos tão fácil, e são nessas horas que todos viram fãs da banda só para arrumar o seu. E claro, os vendedores de bebida (só assim para passar o tempo na fila).

Com as portas abertas, a correria sempre faz parte dos shows e grandes eventos. O Blind Guardian, tanto aguardado por mim e meu irmão não foi exceção. Os portões abriram as 20hrs, o que era bem provável, apesar de nem no próprio ingresso ter estado claro isto. Nele constava o horário das 20h, mas ninguém sabia se era a abertura dos portões ou do começo do show. O Fundição Progresso se mostrou um lugar bom, apesar de que na minha opinião a parte da pista, que fica o palco, poderia ser maior. Já que o lugar tinha um espaço bem distribuído para outras coisas e serviços ao publico, apenas a parte que seria o show era um pouco pequena. Houve comentários na fila, ainda do lado de fora, que o lugar era de uma capacidade de uns 4 mil na pista, o que acho que havia uns 5 mil fãs. O que é coisa pra caramba. Ainda mais para uma banda como a sonoridade do BG.

Após cerca de 1 hora e meia, por volta das 21:30, o local já estava cheio. Não havia divisão entre vip ou pista, e mesmo o local tendo arquibancada, a pista foi a única opção a todos. Foi neste momento que meu irmão e eu percebemos que estávamos no meio do “furor” - estávamos a uns 5 metros de distancia da grade que separava para o palco, isto no começo do show.

Foi quando começou a introdução da belíssima “Sacred Worlds”, música de abertura do mais recente álbum At The Edge of Time (lançado em 2010). Realmente uma linda música! Foi nessa hora, com a entrada da banda no palco, que os dez anos de espera foram muito bem recompensados. Puxa, “eram eles mesmo e bem pertinho de mim” foi o que pensei quando o show estava apenas começando. Para a nossa surpresa, o Fundição não só encheu, como também, todos ali eram mesmo fãs da banda. Coisa raro de vermos hoje em dia. E ainda na primeira música, a banda já havia ganhando o publico.

Logo vieram os clássicos da banda, que tanto me imaginei cantando com eles, “Welcome To Dying” e “Nightfall”. O público cantando junto com a banda tornava tudo mais belo e mágico. Cantando cada trechos e os clássicos refrões tão marcantes, que apenas bandas como o Blind Guardian sabe fazer. Vale dizer que jogaram uma toquinha com as cores da bandeira da Alemanha no palco, onde o vocalista da banda Hansi Kürsch a pegou e colocou perto da bateria de Frederik Ehmke – que por sinal mostrou ser um incrível baterista, com uma excelente performance durante todo o show.

A bandeira do Brasil já estava aos pés dos bumbos da bateria, eu estava sem voz e já havia chorado muito, quando começou a bonita “Fly” com a companhia dos muitos aplausos. As mudanças de ritmos que há em diversas músicas da banda é algo de nota. Pois ao vivo é muito mais belo, e com o Blind Guardian, é muito melhor. Acho que no fundo, a mensagem daquela bandeira aos pés da bateria simbolizava como o Brasil estava diante da nova turnê de BG – estávamos saudando um grande e poderoso rei.

E foi saudando este rei, que saudamos mais um na próxima: “Time Stands Still (At the Iron Hill)”. Música baseada na história de um rei que toma uma decisão desesperada para salvar seu povo depois de um ataque mortal; historia que consta nos livros de J. R. R. Tolkien. Nesta hora em diante, nós não sabíamos mais que música esperar. Pois depois de “Fly”, qualquer música já nos era uma surpresa. E para mim, qualquer música era muito bem vinda. “Traveler in Time” e “Mordred’s Song” foram as seguintes; belas e marcantes. O publico chorava, viajava nas melodias e empurrava muito para lá e para cá. Aos poucos fui me distanciando do meu irmão, e a parti daqui, estava meio que longe dele. E foi nisso que veio mais uma do recente álbum, “Tanelorn”. Pude notar que o álbum foi muito bem recebido por todos ali, pois a musica também foi muito bem acompanhada.

A banda estava incrível em todos os momentos do show. Desde que entrou e saiu do palco, a banda foi maravilhosa. Sinceramente, eles foram muito mais do que eu esperava. O Blind Guardian nunca foi um exemplo de carisma e entretenimento entre o palco e a platéia. Sempre li muitas criticam sobre que a banda era nos palcos muito parada, sem uma presença marcante; mas não foi o que vimos e presenciamos. Muito pelo contrario. A banda estava bem animada e interagindo demais com o publico. Os músicos além de tocarem de forma perfeita e muito bem harmoniosa estavam bem animados e com muita presença. Muitas piadas foram feitas e muitas coisas contadas também. Isso me mostrou que o Guardian estava ainda melhor, e se mostrava ser muito maior do que eu imaginava que fossem.

Como o set list já me era uma surpresa, foi então que ele virou matador. Vieram em seguidas 3 clássicos inesquecíveis da banda: “Lord Of the Rings”, “Valhalla” e “Imaginations From the Other Side”. Eu lá, cada vez chegando mais perto do palco, e cada vez chorando mais. Cada uma com seu destaque. Não esperava que tocassem essas, com exceção de “Valhalla”, mas que ótimo que tocaram. “Lord Of the Rings” com sua belíssima melodia, seguida pelo coro uníssemos do publico; “Valhalla” a tão esperada, com um refrão muitas vezes cantando no final da musica seguido pelas forte batidas de Frederik na bateria; e a letra tão marcante de “Imaginations From the Other Side”. Um trio matador para qualquer um. Eu não esperava, e cada uma foi mais bela que outra. Mesmo sem voz e com a garganta doendo muito, não pude deixar de cantar junto cada uma das músicas.

A banda deu uma pequena pausa, voltou com a “Weel Of Time” – música que fecha o recente disco da banda. O Blind Guardian abusando dos efeitos de orquestra em suas musicas, tornando-as cada vez mais belas. Neste momento foi à hora da mais sonhada música de todo o show: “The Bard’s Song – In the Forest”. Quantas vezes eu cantei esta musica em casa sonhando em estar lá no show também. A platéia se mostrando presente e acompanhando a banda em todas musicas e o tempo todo, não fez feio nesta hora. E assim nos encaminhávamos para o encerramento com “Mirror Mirror”. Um encerramento que seria já perfeito por sinal.

Seria? Bem, o final mesmo não foi este. O que me fez ver ainda mais o que é Blind Guardian. Após a execução de “Mirror Mirror”, a banda começou a agradecer ao publico e a despedir. Nisto começou um forte corro pedido a música “Majesty”. Sinceramente, ninguém esperava que eles fizem o que fizeram. A banda resolver tocar-la, e com o anuncio “more a song” fomos ao delírio. Era a deixa para o show ser, ou ter mais um motivo, para ser eternizado em nossos corações. Eu vi o set list no pedestal do guitarrista ritmo Marcus Siepen, e “Majesty” não estava mesmo na lista das músicas. Mostrando que pelo improviso, a banda a tocou perfeitamente.

Com muitos aplausos, e muitos mesmo, a banda se despedido de nós cariocas com uma expressão no rosto que dizia o quanto eles gostaram de ter estado conosco. Que bom que eles vieram para cá. O show havia chegado ao fim e as luze começou a se apagarem, com gritos de agradecimentos e aplausos.

Não consigo descrever como o show foi. Não tenho duvidas: Ele foi o melhor para mim. O melhor da minha vida (pelo menos até então). Lindo, marcante e muito significativo para mim. Meu irmão, que aguardou este show, talvez menos que eu, ficou muito satisfeito em ter visto a banda com uma performance excelente. A banda também estava maravilhosa em sentido de harmonia. Tudo ocorreu muito bem e de forma excelente.

Sem duvida jamais me esquecerei desta noite. Em março deste ano, meu irmão e eu estávamos no show o Iron Maiden, e cometamos que esse era nosso “Rock In Rio”. O Blind Guardian pode ser dizer que era o nosso segundo dia do “nosso” Rock In Rio, sendo que ainda tem mais pela frente com Whitesnake e Judas Priest.

Impecável e tão significativo, a banda vai passar pelo resto do país e seguir com sua turnê mundial. A mim, foram 10 anos de espera, mas valeu cada dia sonhado em estar lá. Valeu também ficar uma semana sem voz e com dor de garganta. Afinal, Blind Guardian não é todos os dias. Parabéns a eles pelo perfeito show, e que voltem sempre ao Brasil e ao RJ.